terça-feira, 10 de julho de 2007
Corto Maltese
domingo, 8 de julho de 2007
00.93

Dei pela tua presença nos idos de Março.Antes... um pouco antes da Primavera .Lembro-me muito bem. Numa citânia. Estavas sentada na copa de uma árvore, numas das mãos brilhava-te uma pomba azul. Estavas vestida de azul.Estrelas resplandeciam á tua volta, azuis.Deste-me as boas-vindas .Pensando melhor... fui eu que te desafiei para um café imaginário que haveríamos de partilhar. Dei-me conta que a parte mais profunda de mim já te conhecia. Desde o nascimento.Desde sempre.Pelos ensinamentos que me vinham dos teus gestos.Sim as palavras são gestos.Das tuas ideias.Dos teus risos.Sorrisos.Silêncios. Corre-me nas veias o desejo eterno que pedi a Eros, na nossa falésia...
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Carlos Drummond de Andrade

Poema da Necessidade
'É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é prciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens,
é precisso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.'
In, O sentimento do mundo, Record, 2006
sexta-feira, 29 de junho de 2007
00.84
domingo, 24 de junho de 2007
Eugénio de Andrade
O sorriso
'Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
Entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.'
In, O sal da língua, 30 poemas, 2001, Barcelona
'Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
Entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.'
In, O sal da língua, 30 poemas, 2001, Barcelona
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