quarta-feira, 16 de maio de 2007

Orpheu e Eurydice

Terror de te amar

« ...Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição

Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa ...»


In, Orpheu e Eurydice, Sophia de Mello Breyner Andresen e Graça Morais, Centro Nacional de Cultura, Lisboa, Maio, 2006

terça-feira, 15 de maio de 2007

« O que a vida me ensinou »


Fui, com o meu irmão Belchior, na passada sexta-feira, à apresentação do livro « O que a vida me ensinou », de Valdemar Cruz, jornalista do semanário Expresso, com várias obras publicadas.
Como referiu Mário Claúdio, que dispensa apresentações e foi o apresentador do livro ...« Uma invulgar, mas eficacíssima metodologia: a consulta da Pitonisa em que o consulente oferece tudo o que se torna necessário à manifestação do oráculo: a trípode, as ervas de mascar, a própria voz da Pítia.
Os grandes acontecimentos transversais aos trinta e quatro discursos autobiográficos, memorialistas e testemunhais: a Guerra Civil de Espanha, o Fascismo Português, a Segunda Guerra Mundial e o 25 de Abril.
Onde se prova que cada um de nós sabe infinitamente mais do que o que julga saber: o que é da vida interior e o que é da vida exterior, o que é da realidade e o que é da ficção, o que é da revelação e o que é do mistério.
A sabedoria como resultado de um bouquet de sabedorias: o retrato de cada um de nós.
O desejo de uma trilogia: O Que a Vida me Ensinou, O Que a Vida Anda a Ensinar-me, O Que a Vida Ainda não me Ensinou (ou Eu Já Sei Tudo).
Contributo de um croquis para o meu retrato no 2º volume da trilogia: “os valores são o eixo da roda” (Adriano Moreira), “a amizade é sobretudo um sentimento masculino” (Agustina Bessa-Luís), “não gosto do tédio” (Álvaro Siza Vieira), “Portugal tornou-se quase um país ingovernável (Anthímio de Azevedo), “onde é que uma pessoa está melhor, senão no ventre da mãe?” (António Ramos Rosa), “não estou arrependida” (Argentina Santos), “sou um viciado no trabalho” (Borges Coelho), “sendo a nossa vida nós, a obra de criação está fora de nós e é melhor que nós” (Eduardo Lourenço), “tédio é uma palavra que não conheço” (Eunice Muñoz), “é difícil dizer que às dez semanas sim, às catorze não” (Fernando Catarino), “atingimos o que somos” (Fernando Lanhas), “sou sebastianista no sentido português” (Fernando Távora), “praticar o ensino num ambiente de afectividade é muito importante para o êxito da missão” (Galopim de Carvalho), “de certa maneira acho que quem ensinou a vida fui eu” (Glicínia Quartin), “as coisas belas são difíceis” (Helena Rocha Pereira), “cada vez vejo a música de maneira mais científica” (Helena Sá e Costa), “o português é o mais provinciano que há” (José Manuel de Mello), “não sou filiado em partido nenhum, nem quero ser” (José Pinto da Costa), “talvez o importante seja saber o que é que nós deixamos à vida” (José Saramago), “eu sou um comedor de imagens” (Júlio Pomar), “as ideias fixas assustam-me muito” (Júlio Resende), “tenho um medo dos políticos que me pelo” (Luísa Dacosta), “sempre tive muito medo de tudo” (Manoel de Oliveira), “aproveitar a vida o mais plenamente possível é o que há de mais importante” (Margarida Tengarrinha), “estou bem com a vida” (Maria de Lourdes Levy), “o mundo é deslumbrante, mas não é bonito” (Maria Keil do Amaral), “não sou uma pessoa normal” (Moniz Pereira), “sou uma péssima aluna, por isso não sei o que possa ter-me ensinado a vida” (Nella Maissa), “não há nenhum momento que não seja importante” (Nuno Grande), “uma das coisas que me causam mais repulsa é a hipocrisia” (Óscar Lopes), “a arrogância e a intolerância são duas coisas tremendas” (Ruy de Carvalho), “o que me confrange muito é a mentalidade e a falta de cultura neste país” (Sequeira Costa), “o que nos dá mais prazer e satisfação moral é a obra acabada” (Víctor Crespo), um episódio relatado por D. Manuel Martins que me fez chorar.»
A ler...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Aventura


Sábado: Foram seis horas de caminhada na Serra do Açor, por entre bosques e florestas, ao longo do Rio Alva. Iniciamos o percurso na freguesia de Avô ( aqui perguntei a um Senhor pelo Café da aldeia ao que me replicou, « pergunte àquela Senhora, ali à frente, que eu já lhe disse...»), e terminamos em S.Gião.Tem uma bela igreja do sec.XVIII, com frescos do mesmo século, no tecto...quem guarda a chave da porta é o barbeiro da aldeia que oferece rosas às senhoras caminhantes...
Domingo: Quatro horas a pagaiar no Rio Alva, afluente do Mondego, descida com açúdes,quedas inesperadas...desconhecia o verbo pagaiar, nem sei se existe. Dá-se o nome de pagaias, aos remos de uma canoa.
Gostei muito de Penalva do Alva, de Góis, da Natureza, do convívio...
Já não gostei tanto... ter de ouvir a única música que o « nosso » motorista romântico se nos permitiu, tanto em audio quer dvd, tony carrera...excluindo este devaneio mostrou-se uma excelente pessoa.

Bom senso!?

Três meses atrás, notificação a marcar dia para audiência de discussão e julgamento, para hoje, segunda-feira, na Comarca de...Beira Baixa. Hora: 09H30, a 170 Kms de distância.
Requerimento assinado por mim e Ilustre Colega da contraparte a solicitar 14H00...
Despacho de Sua Excelência, Juiz de Direito: nada a fazer por impossibilidade de agenda!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Pai David

Escrever…
Acerca de quê, ao certo…
Sobre o meu herói ,o melhor
Português de sempre…
Quem mais…senão Tu Pai?
Porque não consigo demonstrar-te
ternura…nem dizer-te quanto te adoro Pai…
Como és…como sempre foste…
…e se por vezes te queria diferente,
não sei porque…porquê…?
Gosto de ti quando te pareces com um Carvalho,
O Limoeiro este ano vergou-se à tua vontade,
O Jacinto cresceu em Sabedoria…
Correste atrás da Papoila…em risco
De exaustão…
A Videira não dará frutos…
O teu filho está esquecido deles…
Nesta Primavera o pequeno Álamo começou
A despontar…será definitivo?
As Macieiras da casa velha estão cada vez mais…
Frondosas, maduras…talvez…
E no entanto…Pai…«Homem livre,
Tu sempre gostarás do mar…».
E eu de ti!

Quadros

« O retrato de Dorian Gray », de Oscar Wilde.

Dia da espiga

1904 - Nasce o pintor surrealista espanhol Salvador Dali.